E. M. Ministro Pedro Aleixo, de Massaranduba

 

Este ano mostraremos aqui uma série de reportagens sobre escolas que vêm se destacando na OBMEP. São casos que mostram como todo o ambiente escolar - gestores, professores, alunos e responsáveis - tem sido beneficiado por trocas de experiências bastante frutíferas.


Em 2004, em uma pequena sala do ginásio de esportes da Escola Municipal de Ensino Fundamental Ministro Pedro Aleixo, de Massaranduba, Santa Catarina, cidade com cerca de 14 mil habitantes, o professor Cristiano Rodolfo Tironi criou um espaço para dar aulas de reforço em Matemática de forma voluntaria.

 

“Quando cheguei à escola, em 2003, percebi que os alunos não estavam muito motivados. Quis, então, criar um ambiente onde eles se sentissem acolhidos, valorizados e estimulados. Como professor da disciplina, criei, então, um espaço para que os alunos aprendessem Matemática de forma prazerosa; um espaço onde, sobretudo, gostassem do que estivessem fazendo”, conta Tironi, como é chamado na escola.

 

O professor lembra que dava as aulas de reforço com a colaboração de alunos que se destacavam. “Gosto muito de trabalhar a cooperação em sala de aula, fazendo com que os próprios alunos se ajudem”, diz. Na escola Pedro Aleixo, Tironi também lecionava em turmas de 6º ao 9º ano. Detalhe: quando ingressou na escola, em 2003, ele ainda estava no 2º ano da Faculdade de Matemática.

 

Em 2005, o professor ficou sabendo que haveria a primeira edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas. “É da minha natureza gostar de desafios, de coisas novas, e vi na OBMEP uma excelente oportunidade para motivar os alunos. A Olimpíada oportuniza situações que envolvem criatividade, instiga os estudantes a buscar novas maneiras de resolver os problemas matemáticos. Sou responsável pela OBMEP na Pedro Aleixo desde 2005, e penso que a iniciativa não é importante apenas para valorizar os alunos bons em Matemática. Ela cria oportunidades reais de as pessoas acreditarem e lutarem por seus sonhos”, avalia.

 

Entre 2005 e 2010, a Escola Pedro Aleixo teve 25 premiações na OBMEP, sendo uma medalha de ouro (com o aluno Sidnei Rodrigo dos Santos, em 2009), três pratas, três bronzes e 18 menções honrosas. A preparação dos alunos para as provas da OBMEP era realizada em sala de aula, sempre - como frisa Tironi - com a colaboração de alunos.

 

Entre 2004 e 2010, Tironi e seus alunos colaboradores trabalharam como voluntários na “Sala da Matemática”. “Também vínhamos à escola aos sábados para ajudar os alunos com dificuldades e os que queriam tirar dúvidas referentes às questões das olimpíadas de Matemática”.

 

LEMIN - Em 2010, a partir do reconhecimento que vinha tendo na escola e na cidade, e também dos resultados colhidos na OBMEP, a pequena “Sala de Matemática”, que funcionava no ginásio de esportes da escola, não só ganhou um espaço próprio e melhor, como também foi rebatizada de LEMIN – Laboratório de Educação Matemática Isaac Newton.

 

“Passamos a contar com o apoio da Prefeitura, o que nos permitiu contratar um estagiário. Até então, nosso foco eram as aulas de reforço, e com o LEMIN, expandimos nossas atividades. Em 2009, já tínhamos criado a primeira turma “experimental” de treinamento olímpico, voltada para a OBMEP. A partir de 2010, passamos a trabalhar com os projetos Olimpíadas de Matemática, Reforçando a Matemática, A Geometria no Origami e A Matemática na Moda. Em 2011, começou um quinto projeto, A Matemática no Xadrez. Também chegamos a construir protótipos de foguetes e até uma réplica do 14 Bis. Eram iniciativas interdisciplinares. Procurávamos envolver professores de outras disciplinas”, conta Tironi.

 

No LEMIN, oportunidades eram (e são) oferecidas a todos os tipos de alunos, e não só àqueles com facilidade em Matemática. “No nosso Laboratório, há projetos para todos os tipos de alunos. Indo ao LEMIN, eles acabam se identificando com alguma coisa. O laboratório está sendo importante para os alunos e também para os monitores que trabalham nele. Com bolsa ou de forma voluntária, eles gostam de participar e ajudar os outros. Percebemos que há um espírito verdadeiro de equipe e muito amor pelo que se faz. Os monitores foram meus alunos e hoje, sob a minha coordenação, estão dando continuidade ao trabalho no Laboratório. Cada um cuida de um ou mais projetos específicos, mas eles se ajudam o tempo todo. Agora eles é que estão sendo exemplos para outros alunos, de outras gerações. Meu sonho é que tenhamos sempre alunos preparados e motivados para dar sustentabilidade ao LEMIN. Isso aqui é um sonho. Não há nada melhor do que ouvirmos dos próprios alunos que estamos fazendo a diferença na vida deles”, comenta Tironi.

 

Os resultados na OBMEP refletiram a mudança de status do espaço dedicado à Matemática na escola, após a criação do LEMIN. Entre 2011 e 2015, alunos da Pedro Aleixo conquistaram mais 61 premiações, sendo cinco medalhas de ouro, duas de prata, nove de bronze e 45 menções honrosas. As medalhas de ouro foram ganhas pelos alunos Mateus Spezia (2012), Jaqueline Wenk (2013 e 2015) e Thiago Roberto Kuchenbecker Leu (2013 e 2015).

 

Estudante de Engenharia Elétrica, Matheus Carboni Machado é o monitor do LEMIN (ou professor, de acordo com os alunos) responsável pelo projeto de Olimpíadas de Matemática. Além da OBMEP, ele também prepara cerca de 25 alunos para a Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), para a Olimpíada Regional de Matemática (ORM) e, a partir deste ano, para a Olimpíada Massarandubense de Matemática (OMM).

 

Já Luciano Rietter, também estudante de Engenharia Elétrica, é o monitor responsável no Laboratório pelo Projeto Xeque Mate, que treina alunos para participar de torneios de Xadrez.

 

A terceira monitora do LEMIN, Tamires Lays Tomio, dedica-se às aulas de reforço para alunos com lacunas no aprendizado, no Projeto Reforçando a Matemática. Tamires acumula outras funções, como os projetos A Geometria no Origami e, a partir deste ano, a Feira Massarandubense de Matemática e Tecnologia. Pela primeira vez na cidade, a feira será realizada entre os dias 21 e 22 de julho, no pavilhão da Fecarroz. Em 2016, além da FEMMAT e da OMM, o LEMIN também começará o projeto de Robótica.

 

Olimpíada Massarandubense de Matemática (OMM)

Este ano, o professor Tironi e Matheus estão organizando a primeira edição da OMM, que também será realizada em duas fases. Na 1ª fase, será usada a prova da OBMEP, que acontece no dia 7 de junho. Já a prova da 2ª fase, para qual se classificam 10% dos alunos com melhor desempenho em cada uma das nove escolas participantes, será no dia 8 de outubro, em quatro polos de aplicação. Com cerca de 2.200 alunos participantes, a OMM terá quatro níveis de participação: nível mirim (4º e 5º anos), nível 1 (6º e 7º anos), nível 2 (8º e 9º anos) e nível 3 (Ensino Médio).

 

“Aqui no Pedro Aleixo, o trabalho já está implantado. Meu papel agora vai ser o de coordenar o LEMIN. Confio muito nos professores-monitores, na direção da escola e nos professores de Matemática de sala de aula, que são, sem dúvida alguma, nossos maiores aliados. Formamos uma família, um grupo verdadeiro de pessoas muito dedicadas. Então, podemos partir para projetos mais ambiciosos, como, por exemplo, criar uma olimpíada de Matemática que abranja as nove escolas da cidade. Já estamos indo nelas para conversar com os professores e capacitá-los. É muito importante que eles se sintam à vontade com os problemas olímpicos. Vamos estar junto deles nas salas de aula fazendo esse trabalho. Nossa ideia não é sobrecarregá-los mais do que eles já são. Toda semana colocamos no site da OMM novas listas de exercícios para que eles se preparem e possam treinar os seus alunos. Uma vez preparados, esses professores vão se sentir mais seguros realizar esse trabalho em suas escolas”, explica.

 

Além de coordenar o LEMIN e de participar da organização da 1ª OMM, Tironi também está começando este ano um projeto de treinamento olímpico na Escola de Educação Básica Maria Konder Bornhausen, onde dá aulas para turmas do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e do Ensino Médio.

 

“É uma escola da zona rural, com aproximadamente 260 alunos e sem nenhuma medalha por enquanto na OBMEP. Quero deixar um legado nessa escola, onde estudei. Assim como fizemos na Pedro Aleixo, vou mostrar para os alunos da Maria Konder Bornhausen que a Matemática pode ser prazerosa e acolhedora. Eles, inclusive, já estão me perguntando direto quando começam as aulas de preparação para as olimpíadas de Matemática. Acabei de cadastrá-los no Portal da Matemática e vivo propondo desafios retirados do site da OBMEP. Já comprei muitas caixas de Bis para premiar os que participam dos desafios. Depois que experimentam a Matemática e gostam, o alunos deslancham na matéria”, diz.

 

Os sonhos do professor Tironi agora já ultrapassam os limites da pequena Massaranduba. Além da continuidade e expansão do LEMIN, ele também anseia em trabalhar em uma universidade com a formação de professores.

 

“Acabei recentemente o Mestrado e desejo fazer o Doutorado. Pretendo trabalhar na universidade com projetos de pesquisa voltados à difusão de olimpíadas de Matemática em escolas e municípios. Quero atuar no mundo acadêmico sem deixar de olhar a escola pública. Porque isso aqui (ele se refere à escola Pedro Aleixo) é uma realidade tão rica! Olha quanta gente boa que temos em uma escola como essa! Muitas pessoas vão para a universidade e meio que se fecham depois ao mundo ao redor. Minha ideia é desenvolver pesquisas que estabeleçam conexões entre a universidade e as escolas públicas”, conclui.

 

Depoimentos do professor Cristiano Rodolfo Tironi

 

Sobre a OBMEP

 

. “A OBMEP motiva os alunos a resolver desafios. Nas minhas aulas, o estímulo que a Olimpíada dá à criatividade faz uma diferença enorme. Os problemas olímpicos me ajudam a cativar os alunos. Me ajudam a ensinar a Matemática de uma maneira mais prazerosa. Sinceramente, não vejo mais a nossa escola sem a OBMEP”.

 

. “Depois que surgiu a Olimpíada, mudei até a forma de organizar a minha aula. Hoje sempre trabalho com as turmas um ou dois desafios. Então, na preparação dos alunos para as provas da OBMEP, não preciso trabalhar um mês inteiro com o Banco de Questões. O que faço é simples: sempre pego no site da Olimpíada um ou dois problemas e trabalho com os alunos em sala de aula, procurando envolver até aqueles que dizem não gostar de Matemática. Quando os alunos se dão conta, o ano já passou e eu trabalhei todo o banco de questões, sem que eles percebam. É muito rico o material que o IMPA, por meio da OBMEP, disponibiliza para professores e alunos. Qualquer um, de qualquer lugar do país, pode tirar proveito dos vídeos com as resoluções das provas, do Portal da Matemática etc.”.

 

. “Faço minha prova valendo até 12 pontos e uma caixinha de Bis, e esses dois pontos extras se referem a questões da OBMEP e da OBM. Muitos alunos vão direto nesses desafios, sentem-se instigados. Esses problemas olímpicos colocam um “algo a mais” na prova que motiva os alunos”.

 

. “Nas escolas em que trabalhei, a OBMEP também foi muito importante para revelar talentos. Hoje, muitos deles estão fazendo faculdade de Matemática, querem se tornar professores. A Tamires, nossa professora-monitora do LEMIN que cuida das aulas de reforço e dos projetos de Origami e Feira de Matemática, é um dos exemplos. Precisamos dos melhores alunos na educação”.

 

. “Outro lado muito bacana da OBMEP é que os alunos premiados tornam-se referências positivas nas escolas. Estes mesmos alunos, reconhecidos e valorizados no ambiente escolar por seus méritos, são incentivados a ajudar os colegas. A Olimpíada cria um ambiente muito bom de busca de conhecimento e de cooperação, e isso serve de estímulo para todos os envolvidos”.

 

. A OBMEP cria oportunidades e ainda ajuda na parte disciplinar dos alunos. Percebo que os participantes dos treinamentos ficam mais disciplinados e focados nos seus objetivos. Eles aprendem que sem disciplina não chegamos a lugar algum. Não adianta ter sonho, se não houver disciplina para alcançá-lo”.

 

Proximidade com os alunos

 

Durante os intervalos, procuro me aproximar dos alunos. Jogo truco, futebol, pingue pongue e, muitas vezes, aproveito para tirar as dúvidas que eles têm. Acho que o professor deve mostrar que se interessa pela vida dos seus alunos, deve conversar com eles. Há alunos que não têm um diálogo aberto em casa. E quando veem no professor uma pessoa em quem podem confiar, eles falam de tudo. Então, quando lhes peço para, por exemplo, responder alguns exercícios da OBMEP, eles sabem que é alguém que quer o bem deles que está pedindo.

 

Autoridade

 

Quando conquistamos a confiança e o respeito dos alunos, conquistamos a autoridade necessária. Você não precisa ser uma pessoa grossa, não precisa abusar da sua autoridade, porque as pessoas o respeitam pelo que você é, pelo que faz e pelo exemplo que dá. E esse vínculo criado com os alunos se reflete em sala de aula.

 

Dom de se relacionar

 

Sempre me pergunto: o que eu gostaria que um professor fizesse por mim? Temos de nos colocar no lugar dos alunos e perceber de que maneira podemos conquistar o interesse deles pelo que ensinamos. Os alunos são muito cobrados por mim, mas sabem que faço isso pensando no bem deles.

 

Professor marcante

 

Tive uma professora marcante no primário. Ela dava aulas bem práticas, que mostravam como a Matemática está presente no nosso dia a dia. Lembro sempre dela. Respeito muito os professores, porque acho que é por meio da educação que podemos mudar o mundo. Uma pessoa com o dom de ensinar, de cativar os alunos, é uma ferramenta poderosa para mudar vidas.

 

Características essenciais de um bom professor

 

O bom professor precisa ter muita responsabilidade. Precisa estar ciente do seu papel de educador. Tem de ter a percepção de que o que está ali na sua frente, na sala de aula, não é uma máquina de absorver conteúdos – é um ser humano com qualidades e defeitos. Para que possa ser um diferencial na vida do aluno, você precisa ouvi-lo e entendê-lo. Ser amigo do seu aluno não implica perder a autoridade de professor.

 

Relação da escola com a família

 

A escola tem de estar preparada para lidar com alunos de famílias desestruturadas, onde, muitas vezes, não há uma cobrança em casa para que as crianças façam os deveres. O aluno vai mal na escola, os responsáveis são chamados para conversar e não comparecem. É complicado. A família é fundamental na educação do aluno. Tenho um aluno, por exemplo, que foi convidado a participar do treinamento olímpico mesmo não sendo muito bom em Matemática. Ele é de uma família desestruturada, com muitos problemas, e sei que posso fazer a diferença na vida dele.

 

Depoimento do diretor da escola Pedro Aleixo, Anderson Marcelino

 

“Aqui na Pedro Aleixo, na área da Matemática, temos o Laboratório (LEMIN), um ambiente diferenciado onde os alunos trabalham seus potenciais. É um lugar que contempla muitos projetos e complementa as atividades da sala de aula. Quando percebem que um aluno está com dificuldade, os professores o encaminham para o LEMIN, onde há uma professora que trabalha exclusivamente com esses casos. O aluno talentoso, que se destaca em sala de aula no 5º e no 6º ano, também é encaminhado para o Laboratório para um treinamento específico voltado para a OBMEP. Também temos o xadrez, o origami, a Feira de Matemática. Agora surgiu uma proposta para atividades relacionadas à robótica. Em relação à língua portuguesa, esse ano a escola vai participar da Olimpíada Brasileira de Língua Portuguesa, só que por enquanto ainda não há um projeto específico de preparação para ela. O que temos é o reforço pedagógico de 1° ao 5° ano, e para os alunos das séries finais que estão com dificuldades. Além disso, temos projetos de incentivo à leitura que os professores de língua portuguesa desenvolvem desde o 1º até o 9º ano”.

 

Depoimentos dos professores-monitores do LEMIN

 

Tamires Lays Tomio

 

“No LEMIN, sou responsável pelos projetos Reforçando a Matemática, A Geometria no Origami e, agora, a 1ª Feira Massarandubense de Matemática e Tecnologia”.

 

“As aulas de reforço no laboratório estão separadas por ano - trabalho do 6º ao 9º ano. Tenho quatro horários diferentes, com uma hora e meia de aula para cada grupo. Tentamos formar grupos de 10 pessoas, no máximo 15, senão não conseguimos dar atenção a todos. Acaba virando uma turma regular, e não é esse o objetivo”.

 

 “Nas aulas de reforço, tentamos fazer algo diferente do que é feito nas aulas regulares. Então, procuramos explicar de uma outra forma os conteúdos. Trabalhamos bastante com jogos e outros recursos diferenciados para conquistar o aluno. Porque se ele não aprendeu na sala de aula com aquela explicação, não vai aprender na aula de reforço com a mesma metodologia. Trabalho em parceria com os professores de sala aula, que nos indicam os alunos que necessitam de uma abordagem diferente, mais individualizada, e percebemos que as aulas de reforço têm contribuído bastante para melhorar o desempenho deles”.

 

“Não é o aluno que tem que se moldar ao professor. Nós, professores, é que temos que nos moldarmos aos alunos. Precisamos compreender o que ele está precisando para aprender”.

 

“Muitas vezes, a dificuldade não vem do aluno, e sim da família. Tem um ditado que diz que o professor só pode ensinar direito o aluno se conhecer a história dele, e eu me deparo muito com isso no dia a dia. Houve muitas situações em que primeiro tive de investigar o que estava acontecendo na casa do aluno para depois ver o que poderia ser feito. Para que os alunos melhorem em sala de aula, é necessário estar em contato direto com eles, procurar entendê-los a partir de suas realidades familiares”.  

 

“Estou fazendo meu Trabalho de Conclusão de Curso com o tema Matemática e Criatividade, onde discuto as questões do uso de jogos e de feiras para ensinar a disciplina. O projeto Reforçando a Matemática foi uma fonte de inspiração.”

 

“Tenho um sonho antigo. Meu pai era caminhoneiro, e eu costumava viajar muito com ele. Então, pude conhecer um pouco desse país e vi que aqui, em Massaranduba, estamos no céu. Nas viagens com o meu pai, vi muita criança pedindo dinheiro, passando fome, e isso me tocou muito. Hoje vejo que a educação é que pode nos levar para outros caminhos, pode mudar essa situação. Um dia vou criar uma ONG na área de educação para ajudar as pessoas. Esse é o meu principal objetivo de vida”.

 

Matheus Carboni Machado

 

“Em 2010, na 8ª série, tive aula com o professor Tironi. Nesse mesmo ano, o laboratório dele ganhou um espaço físico. Em 2011, comecei como voluntário no LEMIN junto com o Luciano, e nós trabalhávamos com projetos interdisciplinares. Em 2014, como estagiário, comecei a trabalhar no Projeto Olimpíadas de Matemática. Foi o primeiro ano que trabalhei diretamente com a OBMEP, e o resultado não foi tão bom quanto esperávamos. Mas em 2015 foi diferente. O processo foi mais organizado e a preparação para as provas teve início bem antes. Tivemos duas medalhas de ouro e outras tantas premiações.

 

“Vejo a OBMEP como um grande estimulo para o ensino da Matemática. Com a Olimpíada, os alunos deixam de ver a matéria como vilã e passam a perceber como ela pode ser divertida. É uma atividade que mexe com o sonho dos jovens. Muitos alunos premiados já vieram me perguntar sobre o PIC, quando começa o PIC... Isso é muito bom, porque sei o quanto o Programa de Iniciação Científica da OBMEP faz realmente a diferença na vida dos alunos”.

 

“Alguns alunos dizem que querem se tornar professores, porque gostaram de aprender e de ensinar aqui no Laboratório. Eu os entendo, porque sempre fui muito tímido e me desenvolvi bastante graças ao LEMIN. Aqui está sendo uma casa para formar professores”.

 

“Estou ajudando o Tironi a divulgar a 1ª Olimpíada Massarandubense de Matemática em todas as escolas da cidade. Porque nosso objetivo é que a cidade inteira tenha bons resultados na OBMEP. Nas apresentações que fazemos nas escolas, mostramos como a olimpíada foi importante para nós, quanta coisa boa ela trouxe”.

 

Luciano Rietter

 

“Em 2011, o professor Tironi me convidou para conhecer o LEMIN e perguntou se eu queria participar como voluntário, uma vez por semana. Em 2012, ele me ofereceu uma vaga de estagiário. Só que éramos três, e apenas dois podiam ser contratados pela prefeitura. Então, recebíamos dois salários e os dividíamos por três, porque era o justo. Como eu já tinha sido campeão municipal de xadrez, o Tironi me perguntou se eu não queria cuidar do Projeto A Matemática no Xadrez e eu quis, claro. Em 2013 e  2014, atuamos como estagiários, e em 2015 e este ano como professores do LEMIN. No final do ano passado, também assumi a turma de sala de aula do 9º ano, porque o professor que dava aula passou em um concurso e precisou se ausentar. Faltava mais ou menos um mês para acabarem as aulas. Utilizei os ensinamentos práticos com que trabalhava no LEMIN para ensinar os alunos, e muitos deles que tinham dificuldades tiraram notas melhores”. 

 

“Uso o xadrez para ensinar Matemática, geralmente frações, para as crianças. Mas há um projeto que criamos, chamado Xeque Mate, que é mais voltado mesmo para treinar os alunos que desejam participar de campeonatos no circuito catarinense. Mas sempre é possível fazer o link do xadrez com algumas coisas da Matemática”.

 

Depoimentos de alunos

 

Amanda Belegante

 

‘’Participei da OBMEP pela primeira vez em 2012, quando estava no 6º ano. Nesse ano, não consegui premiação. Participei nos três anos seguintes e ganhei apenas menções honrosas, uma no 7º ano e outra no 9º ano. Tínhamos aula no LEMIN à noite, das sete às nove e meia. No Laboratório, ainda participei de outras atividades, como xadrez e origami. Para mim, foi muito importante participar da olimpíada. Sempre gostei de Matemática e acabei participando de outras olimpíadas.  Sempre tive muito apoio dos professores, tanto do Tironi quanto do Matheus, que me ajudaram muito. Pretendo continuar participando da OBMEP nos próximos três anos, agora no nível 3. Nessa escola, onde estudo atualmente, não há um projeto de treinamento para a olimpíada, mas vamos tentar levar essa ideia para frente. Talvez não consigamos levar o LEMIN para lá, mas um grupo de quatro ou cinco alunos treinando juntos já ajudaria bastante”.  

 

Jaqueline Wenk

 

“Desisti de estudar em uma escola particular para continuar participando da OBMEP. Acho que valeu a pena. Porque desde que entrei na escola, eu era apenas uma boa aluna, sem grande destaque. Depois que comecei a participar da Olimpíada, no 6º ano, em 2012, recebi minha primeira menção honrosa e percebi como aquilo podia mudar a minha vida. Em 2013, o professor Tironi nos deu treinamento olímpico e, ao final do ano, veio a grande surpresa: uma medalha de ouro na minha segunda participação. Em 2014, fui à Cerimônia Nacional de Premiação, onde são entregues as medalhas de ouro. Em 2015, participei pela primeira vez do Encontro do Hotel de Hilbert, que reúne os alunos que mais se dedicam ao Programa de Iniciação Científica da OBMEP (PIC). Esses eventos me fizeram entender a real dimensão da Olimpíada. Hoje, a OBMEP ocupa boa parte do meu tempo, porque sei que isso que vai fazer toda a diferença na minha vida. O LEMIN é o que mais nos incentiva a participar das olimpíadas e a estudar. Ele também nos ensina a fazer amigos, a ajudar os colegas e a respeitar as pessoas como elas são. É algo que com certeza vai ficar sempre marcado na minha vida. A partir deste ano, vou continuar indo ao LEMIN para dar aula como voluntária. Aqui, tanto quem é bom em Matemática quanto quem tem dificuldade são bem vindos. Acho que o grande diferencial na minha trajetória foi o professor Tironi. Ele é o tipo de pessoa que não deixa você desistir. Mesmo que seja o conteúdo mais difícil do mundo, ele o apresenta de uma forma que entendemos.  Em princípio, pretendo fazer licenciatura em matemática. Porém, se um dia um mudar de ideia, com certeza vou escolher alguma área que tenha muita Matemática”.  

 

Willyam Diniz

 

“Participo da OBMEP desde o 6º ano, quando ainda morava em Jaraguá do Sul, mas nunca tive muito ânimo para estudar. Muitas vezes fiquei perto de passar para a 2ª fase, porém não conseguia. Até que, no ano passado, foi mostrado um vídeo aqui na escola sobre alunos de todo o país que ganharam medalhas na OBMEP e como isso trouxe oportunidades para a vida deles. A história de uma aluna em especial me marcou, porque, por meio das olimpíadas de Matemática e de outras disciplinas, ela conseguiu chegar em Harvard. Após esse vídeo, passei a me dedicar realmente e, depois que  passei para a 2ª fase, o Matheus me chamou para fazer o LEMIN, onde fiquei por dois meses. Isso me ajudou bastante no preparo para a prova, e assim conquistei a medalha de bronze em 2015. Acredito que esse possa ser um caminho, pois ainda tenho três chances de conquistar medalhas melhores”.

 

Thiago Roberto Kuchenbecker Leu

 

“Antes da OBMEP, eu praticamente não conhecia a Matemática, e depois que eu entrei no LEMIN, passei a me envolver e a me identificar mais com ela. Coloquei na cabeça que precisava ganhar uma medalha na OBMEP e estudei bastante até conseguir o ouro. Isso representou uma reviravolta na minha vida. No ano seguinte, fiz o PIC e achei muito boa a experiência. Ajudou a incrementar meu conhecimento. Os professores eram muito participativos e atenciosos. Acredito que a escola tenha bons resultados na OBMEP pelos aulas em si, mas, principalmente, pelo LEMIN, que tem um curso voltado só para as olimpíadas. O LEMIN acrescentou muito na minha vida, tanto que agora, no SENAI, não preciso me preocupar muito com Matemática, física e química. Não vou poder continuar participando da OBMEP, já que a escola é particular, mas farei as provas da OBM e da ORM. Sempre gostei de ajudar os outros. Quando meus amigos têm dúvidas em alguma coisa, sempre tento ensinar de uma maneira que eles entendam mais facilmente. A OBMEP foi, sem duvida, muito importante para mim. Alias, não só para mim, como para muitos colegas. É uma experiência que vou levar para o resto da vida”.

 

Fernanda Tibolla

 

“Fui menção honrosa em 2014 e bronze em 2015. Participo do LEMIN desde o 6º ano e vou continuar em 2016. Este ano também vou participar do PIC que, para mim, é um incentivo a mais para quer aprender. Treinamos para a OBMEP desde a 1ª fase e, quando se aproxima a data da prova, trabalhamos mais vezes por semana. No ano passado, também treinamos aos sábados para nos prepararmos melhor”.

 

Jaison Everaldo Hess Júnior

 

“Entrei no LEMIN em 2015. No começo do ano, fizemos uma prova seletiva para participar e, quem se destacou nessa prova, foi encaminhado para participar do treinamento voltado para a OBMEP. Ano passado, ganhei uma menção honrosa, e achei que foi um bom começo para quem só estava no projeto havia um ano. Este ano vou fazer de novo, e quero me esforçar para, quem sabe, ganhar uma medalha de prata ou de ouro, e conhecer o Rio de Janeiro, que é um dos meus sonhos. Acho que sempre fui bom em Matemática. Antes, eu estudava em uma escola que não tinha nenhum projeto relacionado à matéria, mas o ensino era bom. Então, já tinha uma base. Em 2013, eu me mudei e vim para o Pedro Aleixo, onde conheci o LEMIN. Tenho um grande sonho, que é fazer faculdade de moda, e quem sabe um dia trabalhar no exterior com isso. O LEMIN me ensinou muito e me mostrou que eu deveria ser quem eu era, que não deveria abandonar o meu sonho nem ligar para a opinião dos outros. Sou muito grato por isso, por esse projeto que me mostrou que a matemática é um ponto central para o meu sonho, e que por isso não devo desistir dele”.

 

Gabriel Cristofolini

 

“Sempre gostei muito de estudar todas as matérias e sempre tive o sonho de ser professor. Mas não sabia de qual matéria... Até que um dia, o professor Matheus nos apresentou o projeto das olimpíadas e me senti atraído pela Matemática. Quando comecei o treinamento do LEMIN, percebi que a Matemática é a coisa mais legal do mundo, e que quero fazer algo que seja relacionado a ela. Ser professor ou fazer alguma engenharia, não sei ainda. Participei da OBMEP no ano passado e tirei uma menção honrosa. Espero que este ano consiga ganhar uma medalha para poder participar do PIC em 2017”

 

Maria Fernanda Spezia

 

“Ano passado, fiz a prova e tirei menção honrosa. Fiquei bastante estimulada para estudar mais e tentar uma medalha. No começo, eu não gostava muito de Matemática, mas depois que comecei a fazer o LEMIN, passei a me interessar mais”.

 

Fernanda de Oliveira

 

“Entrei no LEMIN por meio do professor Tironi, que nos dava aula de Matemática no sétimo ano. Foi a minha porta de entrada para o projeto olímpico realizado no contra turno, voltado para os níveis 1 e 2. Iniciei a OBMEP no nível 2, e nos três anos em que participei, ganhei menção honrosa. Em 2014 e 2015, quem nos deu aula de preparação para a OBMEP foi o professor Matheus. Na escola General Rondon, onde estudo atualmente, não há esse treinamento. Então, a iniciativa lá vai ter de partir de nós mesmos. A ideia do professor Tironi é que nós, medalhistas, possamos dar continuidade ao trabalho dele, auxiliando outras pessoas. No LEMIN, aprendemos muitas coisas além de Matemática, como respeito, parceria, amizade, confiança e amor, porque sentimos que os professores nos ensinam com muito amor”. 




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